Automação
térmicaAinda nos anos setenta a mixagem de uma canção era um pequeno concerto tocado na mesa de som. A fita com duas dúzias de trilhas girava do começo ao fim, e em volta da mesa ficavam o engenheiro de som, o assistente, o produtor, às vezes os próprios músicos, e cada um tinha os seus faders. Um subia a voz no refrão, outro tirava a guitarra na segunda estrofe, um terceiro acrescentava eco à bateria no momento certo. A canção era ensaiada como uma peça, passada vez após vez, e se alguém se atrasava um compasso, recomeçava-se tudo. O take bom era gravado na fita master, e repeti-lo com exatidão já era impossível, porque ele só vivia nas mãos de algumas pessoas num minuto específico.
As primeiras máquinas que se puseram a memorizar essas mãos surgiram em meados dos anos setenta. A posição dos faders era convertida em dados e gravada em duas trilhas livres da mesma fita, e na reprodução a mesa, guiada por esses dados, mudava o volume sozinha. Os faders em si ficavam imóveis, o volume mudava em algum lugar lá dentro, em amplificadores controlados por tensão, e o engenheiro de som olhava para uma mesa que mostrava uma coisa e soava outra.
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