Interlúdio. Por que o MP3 funciona, afinal
térmicaNo fim dos anos oitenta o engenheiro alemão Karlheinz Brandenburg, que trabalhava com o Instituto Fraunhofer em Erlangen, procurava a gravação em que o seu algoritmo de compressão de áudio erraria de forma mais perceptível. Numa revista de equipamento de som ele leu que, para testar aparelhagem boa, muitas vezes se usava “Tom's Diner”, de Suzanne Vega, uma canção que ela canta sozinha, sem instrumentos, com uma voz quente e rica. Não havia onde esconder as falhas da compressão atrás de bateria e guitarras. Brandenburg ouviu essa gravação milhares de vezes, depois de cada alteração no algoritmo, e nas primeiras versões a voz de Vega soava horrível. Quando em 2007 Vega foi convidada ao Instituto Fraunhofer, mostraram a ela como a sua canção soava naqueles anos, e desde então ela é chamada de mãe do MP3.
A mesma canção teve também uma segunda vida maquínica. Em 1990 a dupla britânica de produtores DNA pôs uma batida dançante sob a voz de Vega e soltou o resultado pelos clubes num disco pirata, sem pedir licença a ninguém. Vega, ao ouvir o resultado, não sabia se processava ou se dava os parabéns. O selo dela, a A&M, em vez de ir à justiça comprou o remix e o lançou oficialmente, depois do que “Tom's Diner” com a batida alheia subiu ao primeiro lugar na Alemanha, na Áustria e na Suíça.
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