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Parte VI. O computador começa a ajudar a compor
Capítulo 22 · 6 min

Música algorítmica

Uma sala do século XVIII: dois dados no ar sobre uma mesa, um caderno aberto com uma tabela de números e uma velatérmica

No fim do século XVIII, nas salas de visita alemãs, jogava-se dados para compor música. O editor vendia um caderno fino com algumas centenas de compassos impressos e uma tabela. Você joga dois dados, procura na tabela qual compasso corresponde à soma, anota esse compasso como o primeiro, joga de novo, e assim dezesseis vezes, até montar uma valsa. Um dos primeiros jogos desse tipo foi publicado em 1757 pelo teórico berlinense Johann Philipp Kirnberger, com o título “O compositor de minuetos e polonesas sempre pronto”. O mais famoso saiu em 1792 pelo editor Simrock, com o nome de Mozart na capa, embora ninguém jamais tenha conseguido provar que foi Mozart quem o inventou. O número de valsas que dá para montar com a tabela dele passa de setecentos e cinquenta e nove trilhões, mais do que todas as valsas tocadas na história da humanidade.

Nesse jogo o compositor escrevia os compassos e a regra para juntá-los, e quem montava a peça era o acaso. As valsas de dados saíam parecidas umas com as outras e bastante decentes, porque todos os compassos tinham sido ajustados de antemão para que qualquer um deles encaixasse no seu lugar sem desafinar.

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