Quem é músico agora
térmicaEm janeiro de 2023, o jornalista Anderson Cooper gravou para o programa “60 Minutes” uma entrevista com o produtor Rick Rubin. A conversa começou com meditação, e depois Cooper perguntou se Rubin sabia mexer numa mesa de som. Rubin respondeu que não tinha nenhuma habilidade técnica. À pergunta se tocava alguma coisa, disse que quase nada. “Eu não sei nada de música”, disse ele. Então Cooper perguntou pelo que, afinal, lhe pagavam, e Rubin explicou: pela confiança no próprio gosto e pela capacidade de dizer o que sente de um jeito que ajude os artistas. “Eu sei do que gosto e do que não gosto, e sou decidido quanto a isso.”
O homem que fala assim de si mesmo esteve, ao longo de quarenta anos, por trás de gravações que quase todo mundo conhece. Ele fundou a Def Jam num dormitório da universidade, juntou o rap com o rock em “Walk This Way” e lançou o primeiro álbum dos Beastie Boys. Em 1986 produziu o álbum “Reign in Blood”, do Slayer, e tomou uma decisão que ia contra todas as regras do metal da época: tirar o reverb das guitarras e da voz. O som saiu seco como osso e pesado como granito, e a banda podia tocar mais rápido sem virar papa. Em 1991 o Red Hot Chili Peppers, que no começo desconfiava do produtor “dessas bandas sombrias tipo Slayer”, gravou com ele “Blood Sugar Sex Magik” e depois trabalhou com ele em mais cinco álbuns. Em 1994 Rubin foi atrás de Johnny Cash, cuja carreira àquela altura se apagava havia muito, sentou-o com o violão diante do microfone, e o álbum “American Recordings” ganhou um Grammy. Oito anos depois, Cash cantou com Rubin “Hurt”, de Trent Reznor, e Trent Reznor, segundo suas próprias palavras, depois disso deixou de considerar a canção sua.
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