O melhor argumento contra
térmicaEsta história tem um adversário forte, e ele merece ser ouvido com toda a força.
Ele diz mais ou menos o seguinte. Tudo o que aqui foi descrito como libertação é, na verdade, perda. Durante trinta e cinco mil anos a música foi coisa do corpo: da respiração, dos dedos, dos calos nas pontas, das costas que doem depois de três horas diante do instrumento. Foi coisa de pessoas que tocam juntas e ouvem a respiração umas das outras, erram e retomam, e do erro comum delas às vezes nasce o que não estava em partitura nenhuma. Os anos diante do instrumento não eram o preço do resultado, eles eram a própria música, e quem passava por eles virava outra pessoa. As máquinas tiraram do músico, uma coisa depois da outra, tudo o que fazia dele um músico, e lhe deixaram a escolha entre coisas prontas, ou seja, a parte mais leve e mais vazia do trabalho. Uma canção que se obtém em um minuto não custou nada a ninguém, e por isso não significa nada.
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