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Parte VII. A máquina começa a ouvir
Capítulo 25 · 4 min

O mixer inteligente

Uma cadeira vazia numa sala de masterização diante de dois monitores e de um notebook com uma curva suave na telatérmica

Durante muitos anos, a última pessoa a ouvir um álbum antes do lançamento era o engenheiro de masterização. Ele ficava numa sala com caixas de som muito boas, acústica calibrada e aparelhos que ninguém mais tinha, e recebia do estúdio as músicas já mixadas. O trabalho dele era fino e quase invisível. Nivelava o volume para que a segunda música não ficasse mais baixa que a primeira, ajustava o timbre para que o álbum soasse igualmente bem no fone, no carro e no clube, e dava aquele último polimento depois do qual a gravação virava disco. A masterização era o ofício dos últimos ouvidos, e bons ouvidos custavam caro.

Em 2001, dois ex-alunos do MIT, Mark Ethier, que estudara música e computação, e seu sócio Jeremy Todd, fundaram em Cambridge a empresa iZotope e, naquele mesmo verão, lançaram o Ozone. Era um estúdio de masterização numa janela só, com equalizador, compressores, alargador estéreo e limitador, que qualquer músico com computador podia instalar. Os aparelhos se mudaram para o programa, mas as decisões continuavam com o homem, e o Ozone em mãos inexperientes deixava a gravação mais alta e pior. Hoje eu mesmo levo minhas faixas até o master no Ableton, esperando não estar entre essas mãos inexperientes, e dispenso a sala de acústica calibrada e o homem de ouvidos caros que vinte anos atrás eram obrigatórios para esse trabalho.

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