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Parte VII. A máquina começa a ouvir
Interlúdio · 2 min

Interlúdio. Por que a masterização não salva uma mixagem ruim

Uma tigela de sopa quente vista de cima e, à parte sobre a mesa, uma cenouratérmica

O engenheiro de masterização recebe a música já cozida. Antes dele, a voz, a bateria, o baixo, as guitarras e os teclados viviam em faixas separadas, e o engenheiro de mixagem podia fazer o que quisesse com cada uma. Depois tudo isso foi somado em dois canais, esquerdo e direito, e daí em diante só dá para trabalhar com a música inteira, como uma onda só, em que tudo está somado com tudo.

Esse ofício tem um teto. O equalizador na masterização age sobre a faixa inteira de uma vez. Se a voz soa abafada porque uma guitarra que toca na mesma região de frequências a encobre, o engenheiro de masterização pode levantar essas frequências, mas junto com a voz sobe a guitarra, e a briga entre elas não vai a lugar nenhum, só fica mais alta. É o mesmo mascaramento em que se baseia o MP3: um som alto esconde do ouvido um som baixo ao lado, e separá-los em lugares diferentes só é possível enquanto ainda estão em faixas diferentes.

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